Homens, animais e jaulas: apontamentos para uma zoopoética

  • Márcia Seabra Neves Universidade Nova de Lisboa
Palavras-chave: Jardim zoológico, homens, animais, jaulas, zoopoética

Resumo

Inscrevendo-se no coração da cidade moderna como espaço de (re)encontro do homem com os animais e uma natureza cada vez mais distante, o zoológico institui-se, na realidade, como um espaço artificial de marginalização e confinamento animal, reforçado as fronteiras entre o humano e o não-humano. Pretende-se pois, neste trabalho, indagar o modo como esse encontro entre o homem e o animal – através da jaula – é representado no texto literário, espaço privilegiado de apreensão da animalidade, porquanto nele o escritor tenta fixar, pela palavra articulada, a subjetividade dos animais, entrar, pelos poderes da ficção, na sua pele, imaginar o que eles diriam se falassem, conjeturar acerca dos seus saberes sobre o mundo e figurar a sua humanidade. Tomaremos como corpus de análise o conto “O búfalo” de Clarice Lispector (Laços de Família, 1960) e a série “Zôo” de João Guimarães Rosa (Ave Palavra, 1970), interpretados à luz das reflexões teóricas de autores como Gilles Deleuze, Jacques Derrida e John Berger.

Como Citar
Neves, M. (2018). Homens, animais e jaulas: apontamentos para uma zoopoética. Cadernos De Literatura Comparada, (38), 459-471. Obtido de http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/498