Cadernos de Literatura Comparada http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos <h4><em>Cadernos de Literatura Comparada</em> é publicada pelo <a title="ilcml" href="http://www.ilcml.com/" target="_blank" rel="noopener">Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa</a>.</h4> <p>Privilegiando instrumentos teóricos comparatistas e valorizando perspectivas interartísticas, <em>Cadernos</em> pretende contribuir para o conhecimento da poesia moderna e contemporânea, promovendo a sua leitura crítica no contexto de problemáticas de âmbito transnacional.</p> ILCML pt-PT Cadernos de Literatura Comparada 1645-1112 Ficha Técnica http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/478 Cadernos de Literatura Comparada ##submission.copyrightStatement## 2018-07-02 2018-07-02 38 Apresentação http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/479 <p>Os textos aqui reunidos devem ser pois concebidos e lidos como um conjunto de propostas de movimento, ou viagem. Cada texto é, só nesse sentido, ipsocêntrico, mas recolhe do seu amor à teoria a necessidade de se observar com outros: uns centram-se mais na atividade estática de ver, outros movem-se por diversos momentos e do espaço. São ainda, retomando a expressão de Merleau Ponty, “partes totais do mesmo Ser”. A “teoria” é etimologicamente um “miradouro”, ponto comum abrangente de diferentes práticas. A organização dos textos por ordem alfabética, a partir do nome dos seus autores, não hierarquiza sentidos, disciplinas ou sequer temas. O índice inicial é somente um incipiente espaço enciclopédico, que Umberto Eco valorizou de tantos modos estes tempos que mudam de paradigma: autor, título e texto, rotas que demoradamente podem (e devem) ser de novo percorridas, até para delas nos desviarmos.</p> Ana Paula Coutinho Gonçalo Vilas-Boas José Domingues de Almeida Maria Luísa Malato Teresa Martins de Oliveira ##submission.copyrightStatement## 2018-07-02 2018-07-02 38 5 8 Territorios interiores y práctica de espacios en Fabio Morábito http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/480 <p>Este artículo aborda las diferentes <em>prácticas de espacio</em> dentro de las obras <em>Lotes baldíos</em> (2001) y <em>También Berlín se olvida</em> (2004), del escritor mexicano Fabio Morábito (1955) quien, a través de una voz autobiográfica que va de la poesía al cuento, explora su experiencia nómada en ciudades como Alejandría, Milán, Berlín o la Ciudad de México. El autor reflexiona sobre la interacción de su lengua materna, de su identidad y de su memoria en relación con esos <em>territorios interiores</em>. Esta propuesta temática confirma los importantes vínculos con el espacio geográfico en México (la representación en códices prehispánicos o en las crónicas de la conquista, son antecedentes). Desde la geocrítica y las nociones de <em>mapmaker</em> y de <em>navegación biográfica</em>, se busca aportar otro enfoque al tema del espacio en Morábito.&nbsp;&nbsp;</p> Adalberto Mejía ##submission.copyrightStatement## 2018-07-02 2018-07-02 38 9 22 La discursivización de la incertidumbre espacial en Desde el cielo de Manuel Murguía http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/461 <p>El presente estudio pretende trazar un análisis de la incertidumbre espacial como fundamento de la ficción en la novela <em>Desde el cielo</em> de Manuel Murguía. Con este propósito, llevaremos a cabo, en primer lugar, una aproximación a la problemática que rodea la definición del paradigma de la incertidumbre espacial, así como su representación. A continuación, estudiaremos la obra atendiendo particularmente a la caracterización vaga e imprecisa de los enclaves en los que se desarrolla el argumento. Finalmente, a partir de la metodología que provee la cartografía literaria y las técnicas de análisis que facilitan los Sistemas de Información Geográfica, desarrollaremos una tipología que permitirá dirimir la incertidumbre espacial del discurso narrativo y relacionar los espacios ficcionales de la novela con sus referentes reales.</p> Arantxa Fuentes Ríos Alba Rozas Arceo ##submission.copyrightStatement## 2018-07-02 2018-07-02 38 23 44 Création littéraire en résidence : une approche géopoétique et géoculturelle de l’espace http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/462 <p>D’un point de vue épistémologique et méthodologique, cet article analyse les apports des théories des interactions entre espace et création en privilégiant notamment la géopoétique, la géocritique et la géographie culturelle. A partir de cet état des lieux d’un écosystème théorique cartographiant les territoires critiques de l’espace&nbsp;en fonction de divers périmètres scientifiques, l’enjeu est de saisir quelles sont les approches conceptuelles de l’espace, du territoire mis en œuvre par les études littéraires et la géographie. Ensuite, dans une perspective croisant « géographie littéraire » et sciences de l’information et de la communication, l’étude propose de redécouvrir le territoire en montrant l’intérêt d’un dispositif culturel spécifique&nbsp;: la résidence d’auteurs. Grâce à une étude de terrain menée, cette analyse permet de combiner&nbsp; une étude des formes littéraires qui façonnent l’image des lieux et une réflexion sur les liens qui unissent la création littéraire à l’espace&nbsp;sociétal. Entre topophilie, topographie des lieux («&nbsp;poèmes paysagers&nbsp;», «&nbsp;poèmes de la frontière ») et interactions (création collective), l’objectif scientifique est donc de montrer, comment la géopoétique renouvelle fortement l’approche territoriale pour les institutions culturelles, grâce à une configuration spatiale différente qui articule littérature contemporaine et médiations.</p> Carole Bisenius-Penin ##submission.copyrightStatement## 2018-07-02 2018-07-02 38 45 65 Desafios e caminhos epistemológicos na abordagem do turismo a partir dos estudos da literatura e da cultura http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/463 <p>A capacidade tentacular e o caráter omnívoro das práticas turísticas promoveram a sua expansão até praticamente qualquer área, tema ou território, incluindo entre eles a literatura, como demonstra o apogeu recente do turismo literário, nas suas diversas concretizações. As interseções que, atualmente, se produzem entre literatura e&nbsp; cultura e o turismo exigem novas abordagens analíticas e leituras críticas renovadas. Este estudo pretende precisamente reavaliar os motivos e as formas de estudar estes cruzamentos. Para tal, são fixados, em primeiro lugar, alguns traços significativos da prática turística na contemporaneidade, assim como os debates existentes no âmbito académico sobre a natureza deste fenómeno ou sobre a sua inter-relação com a cultura e com as identidades (locais, regionais e nacionais). Em segundo lugar, pretende-se discutir a necessidade de analisar o turismo a partir dos estudos da literatura e da cultura e propor algumas linhas de trabalho que podem ser relevantes nesta orientação, tais como a sua proximidade com a ideia de cânone, o papel dos produtos literários e culturais na construção de imaginários turísticos ou a sua (des)conexão com a literatura de viagens.</p> Cristina Martínez Tejero ##submission.copyrightStatement## 2018-07-02 2018-07-02 38 67 85 Relatos de viagens de escritores europeus a Persépolis: Vita Sackville-West, Robert Byron, Annemarie Schwarzenbach Nicolas Bouvier e Higinio Polo http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/464 <p>Aplicando modelos de abordagem ligados à geopoética, proponho-me reler os textos que de Vita Sackville-West, Robert Byron, Annemarie Schwarzenbach, Nicolas Bouvier, Higino Polo e Jason Elliot escreveram sobre visitas que fizeram às ruínas de Persépolis, no Irão. Tendo em conta os contextos de produção, irei ler os textos que testemunham, por um lado, uma ligação entre um espaço geográfico e as duas observadoras, levando a uma individuação desse espaço, sempre situado entre a realidade e a sua apreensão individual e a ficção. As paisagens oferecem as suas margens, as suas resistências, a que o viajante reage, criando depois um espaço literário. Esses textos serão lidos em novos contextos, agora re-traduzido no ato de leitura, criando, em novos contextos, outros espaços literários, que não podem corresponder exactamente aos espaços vividos e literarizados.&nbsp;</p> Gonçalo Vilas-Boas ##submission.copyrightStatement## 2018-07-02 2018-07-02 38 87 110 Un acercamiento geocrítico a Carta magna de América (1949): la creación de los espacios americanos en la poesía de Pablo de Rokha http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/465 <p>Este trabajo propone un análisis geocrítico de <em>Carta magna de América </em>(1949) del poeta chileno Pablo de Rokha. El título del poemario sugiere que nos enfoquemos en las relaciones entre la poética rokhiana y la formación y representación de los espacios americanos. La poética de esta obra toma la forma de un sistema de creación estética y de un sistema integral de representación de espacios alternos sustitutivos de los espacios neocoloniales predominantes en América Latina para la década del cuarenta. De igual manera, su sistema cartográfico poético está articulado dentro de un sistema de sistemas semiótico más abarcador. En la lectura del poemario, esta peculiaridad permite desenmascarar los procesos políticos, económicos, sociales y culturales de la época. Así, <em>Carta magna de América </em>debe ser entendido como una unidad que conforma un sistema de referencia espacial creativo, poético y político cuyos componentes y planteamientos están estrechamente ligados entre sí. Este sistema múltiple postula la redefinición, la re-expresión, la reacción, la crítica, la articulación y la reconquista de los tiempos y espacios humanos en los cuales se gestó su producción. El poemario muestra una poética que crea el mundo y sus fronteras con la palabra que enuncia su voz. El modelo geocrítico de análisis literario e interpretación cultural nos proporciona una perspectiva geocentrada de las referencias poéticas y de los referentes a los espacios americanos y chilenos. Nuestro análisis se dirige hacia el entendimiento de estos nuevos espacios de convivencia que se formulan en los poemas. Además, consiente poner de relieve los procesos de descolonización y captar la apertura creativa y poética a múltiples representaciones sobre el mundo y el transcurrir del tiempo.</p> José Miguel Curet ##submission.copyrightStatement## 2018-07-03 2018-07-03 38 111 124 Entre a afeição e o medo, entre o laço e a perda: uma leitura da geopoética em Sophia de Mello Breyner Andresen nos seus Contos exemplares http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/466 <p>Propõe-se com este ensaio uma leitura do livro <em>Contos exemplares</em>, de Sophia de Mello Breyner Andresen, publicado em 1962, sob o viés da Geografia Humanista Cultural, de fundo fenomenológico, dada a relação singular com o espaço topofilico e topofóbico, além da presença antológica do mar enquanto metáfora viva da lírica de Sophia. A reflexão crítica recairá sobre três dos setes contos que compõem a obra: “A viagem”, “Praia” e “Homero”, visto configurarem o paradigma estético e moral que caracteriza semelhante produção da escritora portuguesa.</p> Márcia Manir Feitosa ##submission.copyrightStatement## 2018-07-03 2018-07-03 38 125 138 El invernadero del hôtel Saccard como impulsor de la intriga en La Curée de Émile Zola http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/468 <p>Este artículo tiene por objetivo analizar el tratamiento dado por Zola al tema del jardín en la novela <em>La Curée, </em>desde el punto de vista de los lazos que se tejen entre el invernadero del palacete Saccard, que más que un simple decorado se revela como un verdadero actante que interviene en la intriga, y los protagonistas de la obra. Con este propósito efectuamos un análisis detallado del discurso poético de las dos descripciones de este espacio, de los capítulos I y IV del texto. Dicho análisis se centra en tres aspectos: el jardín en tanto que lugar de ensueño, de liberación espiritual y de salida del tiempo; el paralelismo entre el jardín y el alma humana, así como la relación arquitectura-naturaleza.</p> Maria Custodia Sanchez Luque ##submission.copyrightStatement## 2018-07-03 2018-07-03 38 139 153 Espaços em volta: percursos imaginantes em "L’horizon" de Patrick Modiano e "A Amante Holandesa" de J. Rentes de Carvalho http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/469 <p>A disposição e a arquitetura dos espaços nos textos literários são elementos cruciais para a construção da imagética espacial em termos culturais. Ao defender a relevância da geocrítica literária, Bertrand Westphal afirma que ela deverá ir além do estudo das representações do espaço em literatura, sendo necessário considerar como seu objeto o exame das interações entre espaços humanos e literatura. Salienta ainda que, se as representações do ‘outro’ são essenciais para a construção de autoimagens, para a determinação/indeterminação das identidades culturais, será imprescindível estudar os modos de viver e conceber o espaço.</p> <p>O estudo a desenvolver neste trabalho partirá dos pressupostos teóricos aludidos e terá como principais objetivos a compreensão do jogo entre a topofobia ou a topofilia em J. Rentes de Carvalho (principalmente na obra <em>A Amante Holandesa</em>) e a interpretação dos sentidos da topofilia urbana em Patrick Modiano (sobretudo em <em>L’horizon</em>). A observação dos diferentes modos de tratamento ficcional do espaço e a análise das diferenças e das analogias entre as perspetivas acionadas pelos dois autores permitirão explorar a complexidade do potencial imaginante que o espaço detém na literatura.</p> Maria João Simões ##submission.copyrightStatement## 2018-07-03 2018-07-03 38 155 171 O baldio como espaço de resgate afetivo http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/470 <p>A ficção de Maria Velho da Costa aposta na criação de territórios subjetivos onde, através de diferentes vozes enunciativas, se exibem cenários alternativos do mundo e se abrem espaços de indagação sobre a vida e o Homem.</p> <p>Pelo recurso a uma rarefação das coordenadas referenciais ou, como lhe chama Manuel Gusmão, a um «deslize da referência», através da montagem de cenografias que aludem ao mundo mais do que o representam, esta ficção abre espaços fronteiriços e intersticiais que permitem novos mapeamentos do humano.</p> <p>A estratégia de desrealização da realidade, libertando o texto de amarras factuais, cria o desprendimento necessário à criação de atmosferas de uma certa errância, de territórios baldios favoráveis à eclosão de figuras matizadas e recetivas a novos pactos relacionais e afetivos. É pela exploração das potencialidades de conceitos como liminaridade, vizinhança, interstício e latência que se perspetiva a sublimação da desafeição e se oferecem alternativas aos roteiros de devastação existencial.</p> <p>Ao encenar novas geografias do humano, em mundos plausíveis e porosos onde dialogam o imaginário e o psicótico, o real e o inverosímil, o humano e o animal, a ficção de Maria Velho da Costa oferece um exercício fecundante de mestiçagem em que se problematiza o que para a autora é fundamental: <em>a</em> <em>realidade emocional dos afetos</em>.</p> Maria José Dias ##submission.copyrightStatement## 2018-07-03 2018-07-03 38 173 192 El desierto: de la evocación literaria al referente espacial http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/471 <p>El desierto, como referente espacial narratológico, se configura novedosamente en las obras de algunos novelistas del siglo XX: Loti, Saint-Exupéry, Buzzati y Le Clézio entre otros . Dicho espacio desarrolla virtualidades inéditas, conservando al mismo tiempo las características propias del <em>locus</em> <em>horridus.</em></p> Montserrat Cots Vicente ##submission.copyrightStatement## 2018-06-29 2018-06-29 38 193 209 Sciences, espaces et colonialité : les fictions archéologiques d’Henry Rider Haggard http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/472 <p>L’article proposé entend analyser la production des espaces fictifs dans le cycle de romans d’aventures She, de Henry Rider Haggard. Il s’agit ici d’envisager comment le croisement, à la fin du XIXe siècle dans une Europe impériale et industrielle, d’une pensée de l’histoire du monde documentée par les sciences naturelles, et d’espaces à coloniser, a pu produire un ensemble d’espaces disponibles pour l’aventure, le divertissement et l’exotisme. On s’intéresse ici au cas de l’archéologie et à son rôle dans l’élaboration d’espaces imaginaires coloniaux, coupés du monde et insularisés, espaces de brutaux et en dehors du temps.</p> Paul Faggianelli-Brocart ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 211 233 Da “humana” geografia em Maria Gabriela Llansol: da língua à escrita. De Colares a Herbais http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/473 <p>A obra de Maria Gabriela Llansol, uma das mais perturbadoras e inclassificáveis do início do séc. XXI, concebida entre vários países, línguas e culturas, permite questionar em moldes particulares a relação que estabelece com o espaço e com aqueles que o povoam. Neste ensaio estabelecem-se ligações entre os diferentes espaços - físicos, linguísticos, interiores&nbsp; - e a teoria llansoliana da escrita tecida a longo da sua obra, aberta a territórios mentais diversos e inesperados.<strong><br> </strong></p> Paula Mendes Coelho ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 235 246 “Estes povos pastoris”: entre a aldeia de Vilarinho da Furna e a literatura de Miguel Torga http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/474 <p>A aldeia de Vilarinho da Furna, localizada no extremo-norte de Portugal, foi uma das últimas aldeias <em>comunitárias</em> no país (ou seja, uma povoação de democracia concentrada com um regime de partilha de propriedade), funcionando como um símbolo das origens e dos valores puros das comunidades ibéricas seculares. O interesse cultural e etnográfico para com esta povoação intensificou-se durante e depois do processo de submersão da aldeia (1969-1972) pelo regime ditatorial da época.</p> <p>A este propósito, considerar Vilarinho da Furna à luz da literatura de Miguel Torga (1907-1995), conhecida pela sua evocação de espaços geográficos e comunidades rurais, é extremamente produtiva de um ponto de vista geocrítico. Vários textos de Torga nos seus <em>Diários</em> refletem, e contribuem para, um sentimento de afeição e topofilia para com a comunidade de Vilarinho e o seu entorno natural, baseado no comportamento harmonioso dos aldeões e no valor simbólico da povoação. Para além disso, o conto “Barragem” (1951) transforma o espaço real daquela aldeia num imaginário literário, através da sua oscilação entre representação ficcional e referente geográfico real. Finalmente, pode-se afirmar que a literatura de Miguel Torga sobre Vilarinho influenciou, em certa medida, o próprio espaço geográfico da antiga comunidade, assim como a percepção cultural e a memória coletiva do lugar em questão.</p> Peter Haysom ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 247 270 Abordagem Geocrítica d’A Grande Velocidade (Notas de Gare) de Guiomar Torrezão (1898) http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/485 <p>Este estudo pretende convocar uma leitura multifocal do relato de viagens “A grande velocidade (Notas de Gare)” da autora Guiomar Torrezão. Partindo de um levantamento toponímico e das principais características da paisagem para cartografar o espaço vivido que será posteriormente cruzado com o espaço ficcionado, o espaço forjado literariamente, pela rememoração de autores e convocação de textos fundadores do género. Esta leitura fará realçar aquilo que Edward Soja designa por espaço terceiro, um espaço onde “(…) everything comes together… subjectivity and objectivity, the abstract and the concrete, the real and the imagined, the knowable and the unimaginable, the repetitive and the differential, structure and agency, mind and body, consciousness and the unconscious, the disciplined and the transdisciplinary, everyday life and unending history” (SOJA 1996: 56).</p> Sara Pascoal ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 271 293 “Escrituras del ver”: viajes al país de los tarahumaras http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/486 <p>En 1936 Artaud viajó a la Sierra Tarahumara para conocer e iniciarse en los ritos que practicaban los indígenas de esta región del norte de México y escribió una serie de textos dedicados a sus ideas sobre la cultura mexicana y sobre sus vivencias con los tarahumaras. Años más tarde, los cineastas franceses Raymonde Carasco y Régis Hébraud partieron a la Tarahumara con la intención de seguir los pasos de Artaud, de “ver” su escritura y de confrontarla con su propia manera de “ver”. Así, entre 1976 y 2001 realizaron una serie de viajes y de películas sobre las prácticas culturales y la vida cotidiana de los tarahumaras. A partir de esta relación entre textos, películas y referencia, este artículo tiene como objetivo indagar sobre este “real” al que estas escrituras buscan acceder para dar cuenta de otra realidad existente y que podría cambiar la propia realidad del ser humano occidental. Tomo el concepto de “montaje” como estructura para trabajar la yuxtaposición de discursos que intervienen en esta relación, así como sus deslizamientos históricos.</p> Varinia Nieto Sánchez ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 295 318 Arte e Psicologia em Vergílio Ferreira http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/487 <p>Neste artigo, selecionam-se as reflexões que Vergílio Ferreira vai fazendo sobre a Psicologia sobretudo na sua obra ensaística, com particular enfoque, mas não exclusivamente, no seu primeiro livro de ensaios de 1957, <em>Do Mundo Original</em>. A partir do seu olhar crítico em relação a esta ciência, vai-se procurar revelar como, umas décadas mais tarde, algumas correntes da terapia comportamental, designadas genericamente como de terceira geração, fazem suas aquelas críticas e lhes procuram responder. Finalmente, busca-se também demonstrar que a alternativa à visão psicológica do ser humano, procurando a sua realização, que Vergílio Ferreira apresenta e que passa por uma ideia de vivência da Arte, tem múltiplos pontos de contacto com algumas das terapias comportamentais de terceira geração, nomeadamente com a Terapia de Aceitação e Compromisso e com o Mindfulness.</p> Adriana Freire Nogueira Rui Diniz Monteiro ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 321 341 Trânsitos, paragens e identidades em "A árvore das palavras" http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/488 <p>O romance <em>A Árvore das Palavras </em>(1997), da escritora portuguesa Teolinda Gersão, aproxima-se dos parâmetros do novo romance histórico. Essas narrativas, de modo geral, têm o objetivo de reescrever os fatos históricos através do discurso ficcional, traçando uma constituição identitária que considera traços culturais, sociais, políticos, etc., e visam revisitar versões históricas, muitas vezes subvertendo-as através dos mecanismos discursivos. Assim, o romance da autora portuguesa visita uma parte da história de Moçambique, quando o país ainda era colônia portuguesa, e revela, principalmente através do olhar inquieto e lírico da personagem Gita, o processo de descolonização da nação e as relações culturais estabelecidas entre colônia e metrópole. Gita, personagem principal do romance e narradora de duas das três partes nas quais o romance é dividido, alegoriza a personificação entre os dois espaços de trânsito da história: é filha dos colonos portugueses Amélia e Laureano, mas nasceu em Lourenço Marques e, frente ao contato e influência de Lóia, a antiga ama de leite, sente-se acolhida e ligada ao ambiente físico e cultural africano. Assim, por meio da figuração de diversos espaços e da vivência cultural e histórica que as personagens estabelecem com eles é possível perceber no romance as diferentes experiências frente à realidade da colonização e as disparidades discursivas produzidas a partir desse contexto social.</p> Dinameire Oliveira Carneiro Rios ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 343 362 A representação do imaginário infantil nas obras de Monteiro Lobato e Gabriel García Márquez http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/492 <p>Neste trabalho, objetiva-se desenvolver uma análise comparativa entre a obra ‘Negrinha’ de Monteiro Lobato e ‘A luz é como a água’ de Gabriel García Márquez. Para tanto, foi analisado de que maneira a criança fantasia, devaneia e imagina, quando seu direito a brincar e se ludibriar são usurpados. Em ambos os contos podemos perceber que a condição de ser criança lhes é tomada. No conto ‘Negrinha’, a pequena órfã é escravizada, sofre maus tratos, sendo submetida a violências físicas e psicológicas. No conto ‘A luz é como a água’, as crianças são isoladas do mundo, no apartamento do quinto andar, número 47. Por suas histórias, se considera que as crianças se valem do imaginário para acalentarem suas frustrações e angústias com a vida cotidiana.</p> Elisa I. C. Dill Samir M. Ghaziri ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 363 374 “A maelstrom of lying”: Bret Easton Ellis and himself http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/493 <p class="Default" style="text-align: justify; line-height: 150%;">Bret Easton Ellis é um dos autores americanos mais conhecidos do século XXI. Tem sete romances publicados até à data e os críticos têm tentado desconstruir e compreender o seu trabalho bizarro e misterioso seguindo as mais variadas abordagens, tais como o pós-modernismo, estudos culturais, estudos feministas, entre muitos outros. Enquanto estes métodos podem ter esclarecido determinados aspetos do trabalho de Ellis, outros elementos que são, a meu ver, essenciais podem ter passado despercebidos. O objetivo deste ensaio é chamar atenção para o ponto de vista individual dos protagonistas de Ellis. Deste modo irei desafiar a fronteira entre a realidade e a ficção, e provar que, ao destacar a experiência emocional das personagens imorais e desequilibradas do escritor americano, os leitores podem vivenciar uma experiência muito mais íntima e intensa.</p> Filipa Basílio Valente da Silva ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 375 390 Figurações e transfigurações do espaço geopoético em Romance d’A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta, de Ariano Suassuna http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/494 <p>A obra literária revela-se um território de imagens e de símbolos organizados e combinados entre si, cujas fronteiras indicam apenas uma ilusória interrupção no movimento contínuo das personagens e dos leitores que o habitam. Estes fazem parte de um imaginário geopoético gerador de efeitos de sentido diversos que, mesmo quando desvelada sua topografia literária (temas, motivos, cenários e intrigas), não se restringem a unívocas delimitações de lugares (espaços físicos) e momentos (tempos particulares), mas se revelam superfícies “transrepresentacionais”, crivadas de ambiguidades e analogias, capazes de recobrir, ao mesmo tempo, uma diversidade de outros lugares e momentos. Nesta investigação, partimos da interpelação da realidade sertaneja enquanto figuração literária cada vez mais elaborada no plano de uma ação imaginante, verificando na abertura conferida à imaginação a ação poética do personagem ficcional sobre a realidade do sertão que o circunda e o consome.</p> Giuliarde de Abreu Narvaes ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 391 406 "Noturno Amarelo": um estudo das relações afetivas e espaciais em Lygia Fagundes Telles http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/495 <p>O presente trabalho tem como objetivo o estudo do conto "Noturno Amarelo", de Lygia Fagundes Telles, sob o aspecto simbólico da paisagem. A autora tece o drama de suas personagens envolto em sugestões e sutilezas espaciais. Seus mais diversos temas, - como morte, loucura, desencontro amoroso e vingança, - emergem não apenas nos diálogos de suas personagens, mas também dos espaços carregados de simbolismo: veredas, jardins, casas, quartos, escadas... Os contos da autora são constituídos por microuniversos de tensões afetivas de latentes relações com os espaços de experiências das personagens. A análise do conto será feita a partir da perspectiva teórica do geógrafo chinês Yi-Fu Tuan, em seu&nbsp; livro <em>Espaço e lugar: a perspectiva da experiência</em> (2013) nos quais evidencia-se a ligação dos laços afetivos do homem com o meio material. Serão de pertinente contribuição também, as considerações de Gaston Bachelard sobre a poética da percepção do espaço vivido retiradas de seu livro <em>Poética do espaço</em> (1993). Uma vez que o conto analisado vincula-se às questões espaciais, serão utilizados os apontamentos de Maurice Halbwachs (2006) e Paul Ricoeur (2007).</p> Gladson Fabiano de Andrade Sousa Naiara Sales Araujo Santos ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 407 427 "às vezes julgo-me na iminência de ver o horror: pensar a Europa em os 3 farros. descida aos infermos." de António Aragão e Alberto Pimenta http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/496 Inês Cardoso ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 429 438 O Conceito de País em "Uma Viagem à Índia" http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/497 <p>Pretende o presente estudo expor o questionamento que sofrem alguns critérios universalmente aceites como formadores da noção de <em>país</em> na obra <em>Uma Viagem à Índia</em>, de Gonçalo M. Tavares. Uma vez que nesta obra não é predeterminada à ideia de <em>país</em> qualquer contexto de ordem pragmática, ficam em certo sentido anulados os critérios <em>externos</em> habitualmente utilizados para balizá-la. Sendo a anulação de tais critérios afirmada de modo explícito na obra, traçarei um breve mapa destas negações. Redundando a explicitação destas negações numa noção de <em>país </em>que sai da própria possibilidade de sobredeterminação por via de qualquer meta-linguagem, de qualquer fundamento místico, implica isto um devir intrínseco a tal noção, uma força metamórfica que não lhe permita fixar-se sob nenhuma forma estanque. Um conceito, por conseguinte, em permanente restruturação, cuja força não é bruta nem modeladora, mas delicada e maleável – que assenta numa intensidade inteligente e complexa. Para findar, articular-se-á esta noção mutável de <em>país</em> com as noções de tempo e de espaço.</p> João Albuquerque ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 439 457 Homens, animais e jaulas: apontamentos para uma zoopoética http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/498 <p>Inscrevendo-se no coração da cidade moderna como espaço de (re)encontro do homem com os animais e uma natureza cada vez mais distante, o zoológico institui-se, na realidade, como um espaço artificial de marginalização e confinamento animal, reforçado as fronteiras entre o humano e o não-humano. Pretende-se pois, neste trabalho, indagar o modo como esse encontro entre o homem e o animal – através da jaula – é representado no texto literário, espaço privilegiado de apreensão da animalidade, porquanto nele o escritor tenta fixar, pela palavra articulada, a subjetividade dos animais, entrar, pelos poderes da ficção, na sua pele, imaginar o que eles diriam se falassem, conjeturar acerca dos seus saberes sobre o mundo e figurar a sua humanidade. Tomaremos como <em>corpus</em> de análise o conto “O búfalo” de Clarice Lispector (<em>Laços de Família</em>, 1960) e a série “Zôo” de João Guimarães Rosa (<em>Ave Palavra</em>, 1970), interpretados à luz das reflexões teóricas de autores como Gilles Deleuze, Jacques Derrida e John Berger.</p> Márcia Seabra Neves ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 459 471 Uma Leitura Crítica do Livro "Esses Ossos" Editado pela In-Libris http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/489 <p>.</p> José Eduardo Reis ##submission.copyrightStatement## 2018-07-04 2018-07-04 38 475 487