Cadernos de Literatura Comparada http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos <h4><em>Cadernos de Literatura Comparada</em> é publicada pelo <a title="ilcml" href="http://www.ilcml.com/" target="_blank" rel="noopener">Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa</a>.</h4> <p>Privilegiando instrumentos teóricos comparatistas e valorizando perspectivas interartísticas, <em>Cadernos</em> pretende contribuir para o conhecimento da poesia moderna e contemporânea, promovendo a sua leitura crítica no contexto de problemáticas de âmbito transnacional.</p> pt-PT ilc@letras.up.pt (Lurdes Gonçalves) ilc@letras.up.pt (Lurdes Gonçalves) Qui, 03 Jan 2019 00:00:00 +0000 OJS 3.1.1.4 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Ficha técnica http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/502 Cadernos de Literatura Comparada ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/502 Qui, 03 Jan 2019 00:00:00 +0000 Apresentação http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/517 <p>Os textos heterogéneos aqui reunidos apresentam-se, assim, não como um conjunto disperso de reflexões, mas como um conjunto orgânico, na medida em que os percebemos como resposta a uma demanda contemporânea: o direito ao discurso – direito fundamental do humano. Dizer e dizer-se converteram-se em meios essenciais, num mundo já tão profundamente diverso ao de Barthes, para subjetivação frente à concorrência infinita de discursos interconectados, sobrepostos e opostos. E a questão permanece em aberto: perante o rosto do outro, o que valho eu? Melhor dizendo: o que valemos nós?</p> Emerson Inácio, Mário Lugarinho, Maximiliano Torres, Ana Luísa Amaral, Marinela Freitas ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/517 Dom, 06 Jan 2019 07:23:34 +0000 Como se (des)faz um armário português http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/503 <p>A partir de uma leitura diacrónica da recepção do <em>Só</em>, de António Nobre, tentaremos demonstrar como a crítica praticou um verdadeiro “closeting”, tanto da obra quanto do autor. Embora esse branqueamento se possa entender tendo em conta os tabus ligados à sexualidade durante o Estado Novo, o armário continuará muito tempo depois, inclusive por parte de um dos maiores críticos do poeta, o escritor Mário Cláudio, ele próprio homossexual no armário, como virá a admitir em <em>Astronomia</em> (2015).</p> Fernando Curopos ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/503 Qui, 03 Jan 2019 22:34:04 +0000 "Queer avant la lettre": sobre sapas, tangerinas, jacarés e lobisomens http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/504 <p>Se o termo <em>queer</em> emerge e se sedimenta como dispositivo crítico a partir da década de 1990, determinados procedimentos textuais, corporais e estéticos adotados por autores como Al Berto (Portugal), Hebert Daniel e Leila Míccolis (Brasil), ainda nos anos de 1970, parecem (se) antecipar à(a) conformação substantiva que aquele adjetivo inglês assume no campo dos estudos sobre identidades sexuais e de gênero na atualidade. Parte-se, pois, da premissa de que houve em Língua Portuguesa uma expressão estética <em>queer</em> antes que o <em>queer</em> propriamente dito houvesse – ou tivesse sido nomeado como tal. Assim, o presente ensaio propõe-se a descrever e analisar, em perspetiva comparativista, alguns exemplos retirados das obras literárias d@s autor@s antes citad@s, fragmentos que parecem prenunciar os signos de liberdade e de libertação que atualmente vem sendo defendidas pela teoria <em>queer</em>.</p> Emerson Inácio ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/504 Qui, 03 Jan 2019 23:29:48 +0000 O mundo calibanesco de Ana Luísa Amaral http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/505 <p>Partindo das propostas <em>queer </em>teorizadas por Ana Luísa Amaral no seu recente livro de ensaios, <em>Arder palavra e outros incêndios</em>, pretendo estudar esse “pequeno corpo que é o poema” consoante o tópico da monstruosidade. Para isso, analisarei o sentido ético e estético que a poeta dá à noção de diferença (margens, sexo, aparência e discurso), a importância do processo da metamorfose que permite “romper fronteiras e limites”. Por fim, o monstruoso aparecerá no seu valor palingenésico através de coordenadas como o excesso, a insurreição poética e política, entre outras. O meu <em>corpus </em>será composto, para além do livro de ensaios já mencionado, pelo “poema em acto” <em>Próspero morreu</em>, pelos livros para a juventude e por uma selecção de poemas da Autora.</p> Catherine Dumas ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/505 Sex, 04 Jan 2019 01:00:34 +0000 A “différance sexual”: Escrita e diferenças sexuais no pensamento de Jacques Derrida http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/506 <p>“É talvez porque ali onde há voz, o sexo indecide-se” – eis a enigmática frase que Jacques Derrida nos deixa numa correspondência datada de 1982, intitulada “Voice II”, a partir da qual se tentará salientar de que modo o pensamento derridiano da <em>escrita </em>como <em>arqui-escrita </em>e/ou <em>différance</em>, bem como a aproximação de um outro <em>feminino</em> pensado para além do binómio masculino-feminino, permitem repensar a dita “diferença sexual” (dual e oposicionalmente determinada) em termos de <em>diferenças sexuais</em>, nomeadamente a partir da dinâmica <em>indecidível </em>do que, ainda no mesmo texto, o filósofo refere como a “verdade da <em>différance </em>sexual”.</p> Andreia Carvalho ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/506 Sex, 04 Jan 2019 01:33:57 +0000 Poder religioso e trans/sexualidade em "A Confissão" (1979), de Bernardo Santareno http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/507 <p><em>A Confissão</em>, peça publicada em 1979 e levada à cena no ano seguinte pela Seiva-Trupe, do Porto, escassos meses antes da morte de Bernardo Santareno, denuncia o moralismo conservador e hipócrita que continua a imperar no Portugal pós-revolucionário. Através da análise dos diálogos entre o padre-confessor, uma paroquiana humilde e um travesti determinado a levar avante uma cirurgia de reatribuição sexual, observaremos a obsessão totalitária da Igreja em policiar as práticas sexuais dos crentes e assim controlar a sua consciência. Examinaremos a forma como, ao exercer o seu poder sobre os corpos individuais no sentido de os normalizar e submeter, o que a instituição religiosa visa <em>in fine</em> é dominar o próprio corpo social, contribuindo assim para manter uma organização sociopolítica característica do Antigo Regime. Ao contrário da mulher do povo, sem forças para resistir à <em>autorictas</em> religiosa (que a sujeita à violência da dominação masculina), o transexual Françoise, esse, acabará por se emancipar radicalmente, retomando o controlo da sua vida, sem se preocupar com o juízo da sociedade. Note-se entretanto que, embora solidária com as classes trabalhadoras, Françoise apenas recebe delas o desprezo. Vítima dos preconceitos de género não só da elite, que hipocritamente a utiliza para os seus fantasmas sexuais, mas também de outros oprimidos como ela, esta personagem “revolucionária” é, pois, duplamente, traída e marginalizada.</p> Luís Sobreira ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/507 Sex, 04 Jan 2019 11:34:19 +0000 Trangressões canônicas: Queerizando as donzelas-guerreiras http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/508 <p>Neste artigo, analiso o paradigma literário das donzelas-guerreiras, assim como o uso que a crítica literária tem feito deste paradigma. Além disso, proponho uma leitura queer dessas personagens, seja a partir da ideia de masculinidades dissidentes, seja a partir da ideia de que a transição entre gêneros é parte da diversidade humana, o que nos afasta de leituras psicanalíticas que entendem as dissidências e os trânsitos entre gêneros como patologia e/ou desenvolvimento incompleto. Por acreditar que há um uso exagerado do termo para ler diferentes dissidências literárias de gênero, proponho também o desdobramento do paradigma das donzelas-guerreiras em quatro outros paradigmas: as mulheres masculinas, as mulheres guerreiras, as donzelas-guerreiras e as transgeneridades guerreiras.</p> Helder Thiago Maia ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/508 Sex, 04 Jan 2019 13:35:43 +0000 "Sextualities": Taboo, Transgression and Subversion in the Poetry of Maria Teresa Horta and Luiza Neto Jorge http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/509 <p>A nossa experiência material dos corpos e das sexualidades é fundamentalmente formada pelos limites ideológicos impostos através da hierarquização da sexualidade e dos tabus que definem que elementos são considerados aceitáveis ou perversos. Neste artigo, compara-se o modo como se desafiam estes limites nas poesias de Luiza Neto Jorge e Maria Teresa Horta. Procurar-se-á comparar o modo como cada poeta utiliza os elementos tabus do corpo feminino a fim de criar novas identidades de género que libertariam o corpo feminino das restrições severas dos códigos sociais, políticos e religiosos em Portugal. Especificamente, considerar-se-ão representações do corpo e o modo como se usa linguagem para dar poder ao feminino na poesia de Maria Teresa Horta, e para criar uma definição mais fluida de gênero na poesia de Luiza Neto Jorge. Empregando as teorias sobre a sexualidade de Foucault até Butler, discute-se em que medida se pode dizer que a poesia de Maria Teresa Horta constitui uma transgressão dos limites de sexualidade, e que a poesia de Luiza Neto Jorge é uma subversão. Através da poesia de duas escritoras revolucionárias, portanto, procurar-se-á demonstrar como é que o discurso afecta a experiência material, e comparar as maneiras divergentes como a poesia e a linguagem podem ser utilizadas como resistência ao discurso opressivo patriarcal, seja redefinindo os limites que definem a nossa experiência corporal e sexual, seja apagando-os.</p> Lorna Kirkby ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/509 Sex, 04 Jan 2019 15:16:06 +0000 “Com muitos dedos puxamos as cortinas para trás”: Invisibilidade e silenciamento na poesia feminina contemporânea brasileira http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/510 <p>Este artigo visa uma breve análise de poemas escritos por mulheres brasileiras contemporâneas cujo trabalho denuncia a violência de género, ao apresentar a exploração do desejo (lésbico) como uma das formas de contrariar o silenciamento e a invisibilidade que é comum a todas as autoras a tratar. Serão analisados excertos de poemas de Angélica Freitas, Adelaide Ivánova e outras vozes recentes à luz de teorias de género, à medida que se tenta desenhar um espaço seguro alternativo para estas mulheres fora do padrão da voz poética normativa. Para além do desejo lésbico, ponto central destes poemas, será também dado enfoque à violência contra as mulheres, tema este que está intimamente relacionado com a orientação e identidade sexual, tendo em conta a posição de uma ‘dupla segregação’ da mulher cujo comportamento sexual não é normativo (a mulher lésbica, a mulher transexual).</p> Ana Bessa Carvalho ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/510 Sex, 04 Jan 2019 16:13:05 +0000 Dinâmicas de poder e insubordinação em “Danças húngaras de Brahms”, de Teresa Veiga http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/511 <p>Em “Danças húngaras de Brahms”, segundo dos três contos reunidos na colectânea <em>As Enganadas</em> (2003) de Teresa Veiga, cuja trama assenta basicamente nas relações entre uma mãe viúva e o seu filho de dezanove anos, defrontamo-nos, por um lado, com um discurso que celebra os pilares do patriarcado e reduz os indivíduos a “corpos dóceis” (Foucault 1975) moldados por práticas regulatórias e discursos padronizados e, por outro, com a representação de corporalidades e performatividades que visam questionar as dicotomias de género e as categorizações rígidas de identidade, género e sexualidade. Nele se revelam identidades que remetem para a subversão, a diferença, a marginalidade, que procuram desfazer condutas e discursos normativos e desafiar determinismos que condicionam as relações entre os indivíduos. Pretende-se assim demonstrar que o conto se constrói em torno de representações opressoras de sexo, género e identidade e da tentativa de derrubar dispositivos instituídos para servir o patriarcado diferencialista e hierarquizado, abrindo espaços para a transgressão e a resistência aos vários sistemas de poder, numa perspectiva amplamente libertadora.</p> Maria Araújo da Silva ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/511 Sex, 04 Jan 2019 22:27:59 +0000 A esposa que suga a vida sem pudor e o corno que morre para o mundo http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/512 <p>O imaginário patriarcal do amor romântico foi usado no século XIX para naturalizar a divisão sexual do trabalho própria do capitalismo industrial. Segundo esse discurso, o amor encaminha a sexualidade para o vínculo interpessoal por excelência que é o matrimônio e a dignifica pondo a procriação ao serviço de Deus e a Pátria. No século XX, as classes médias brasileiras ainda achavam que, sem o controle da sexualidade feminina, as mudanças trazidas pela modernização causariam o caos social. A partir da década de 1970, sob o influxo dos movimentos de mulheres e os feminismos, a sexualidade das mulheres transformou-se novamente em um tema de preocupação social no Brasil e debateu-se muito seu direito ao prazer desvinculado da procriação. Nesse contexto de controvérsia, podem-se encontrar em alguns textos literários os indícios de como a crise das mulheres insatisfeitas com o matrimônio burguês convencional causou <em>necessariamente</em> a crise da masculinidade heteropatriarcal, na medida em que o desejo das esposas de explorar sua erogeneidade coloca em questão os pilares do imaginário com o qual os maridos definem e praticam sua masculinidade. Uma leitura <em>queer</em> desses textos – um olhar contra a luz – permite perceber os indícios da agonia simbólica do Macho, causada pela ferida infligida à sua masculinidade pelo surgimento dos feminismos e pelos movimentos de mulheres.</p> Cecilia Inés Luque ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/512 Sex, 04 Jan 2019 23:01:42 +0000 “Formar um bloco com os nossos corpos”: o(s) corpo(s) localizado(s) em "Novas Cartas Portuguesas" http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/513 <p>O livro polémico e revolucionário <em>Novas Cartas Portuguesas </em>(1972), escrito por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, pode ser abordado a partir de dois aspetos interligados: uma insistência na representação de numerosas (e extremamente <em>localizadas</em>) experiências de mulheres, e a imagem recorrente do corpo feminino (ou dos corpos femininos). Ao considerar estes dois elementos em conjunto, este ensaio irá defender que as Três Marias antecipam, através do seu texto literário, as “políticas de localização” (Rich <em>et al</em>) que têm influenciado a teoria e a prática feminista desde os anos oitenta do século passado. Este estudo irá considerar o modo como <em>Novas Cartas </em>atribui uma determinada “localização” (ou múltiplas localizações) a numerosos corpos femininos, e em que medida é que os corpos individuais de mulheres são instrumentalizados pelas autoras para criar um “bloco” de resistência e de solidariedade feminina global. Concluir-se-á, porém, que a geometria e os limites de um corpo único são elementos necessários para a construção deste bloco duro e inquebrantável.</p> Peter Haysom ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/513 Sex, 04 Jan 2019 23:35:43 +0000 Ficção de "slash" na internet como espaço heterotópico e de resistência "queer" http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/514 <p>Partindo do contexto da “fandom culture”<em>,</em> este artigo incide a atenção nos subgéneros de <em>ficção de fãs </em>(“fan fiction”) e explora o modo como estes contestam géneros sexuais fixos e posições de sujeito disponíveis na sociedade normativa. Uma vertente, particularmente forte, entre os subgenéros de <em>ficção de fãs</em> é o “slash” (“same pairing”): o emparelhamento sexual ou romântico entre duas personagens do mesmo sexo que na história original são heterossexuais. A partir do conceito de <em>re-escrita</em>, analisa-se um <em>corpus</em> de textos de <em>slash</em> em português (do Brasil e de Portugal), publicados nas páginas “Archive of Our Own” e “Spirit Fanfics e Histórias”. Estas ficções reelaboram e reinventam narrativas de heteronormatividade, colocando as suas personagens favoritas em cenários alternativos, desta forma explorando o que significa ser <em>queer</em>, em termos de agência individual e de poder. Ao reelaborar as narrativas favoritas (canónicas e populares) e as suas personagens preferidas, @s escritor@s/fãs inscrevem-nos em novas situações e subjectividades que desafiam os discursos de heteronormatividade, deste modo configurando os elementos para uma <em>heterotopia</em> <em>queer</em>.</p> Chatarina Edfeldt, Anabela Galhardo Couto ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/514 Sáb, 05 Jan 2019 00:21:26 +0000 In the Middle: Queer intentions in "El rapto del Santo Grial" (1984) and "Historia del Rey Transparente" (2005) http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/515 <p>Este artigo analisa as representações não-normativas da Idade Média em duas narrativas espanholas contemporâneas: <em>El rapto del Santo Grial</em> de Paloma Díaz-Mas e <em>Historia del rey transparente</em> de Rosa Montero. Partindo da formulação de Carolyn Dinshaw de um “queer touch across time”, este estudo analisa o modo como o enredo narrativo cronológico da historiografia convencional é <em>dobrado</em> e até mesmo <em>quebrado</em>, quando os dois romances recorrem à propensão pós-moderna para o anacronismo, a não-linearidade, a ironia, o <em>pastiche</em> e a “estranheza”, recusando-se a entender o passado e o presente como discretos e distintos. Tanto a novela de Paloma Díaz-Mas como a de Rosa Montero são apresentadas como representações de mitos e histórias familiares – o ciclo artúrico, o Santo Graal, a viagem heroica – com o objetivo de apresentar versões feministas alternativas e críticas de um sistema hétero-patriarcal cuja fundamentação naturalizada na Idade Média continua a assombrar o presente.</p> Ana Rita Gonçalves Soares ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/515 Sáb, 05 Jan 2019 01:06:32 +0000 (Auto)biografismo e ditadura hétero-militar em "Fluxo-floema" http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/516 <p>A partir das propostas teóricas de Roland Barthes e Leonor Arfuch, consideramos o “espaço biográfico” como uma das maneiras através das quais pessoas LGBTQI+ encontram lócus e veículo para expressão. A estilização da escrita (auto)biográfica na literatura de autoria ou temática homoerótica produzida durante a ditadura “hétero-militar” brasileira (1964-1988), conduziu nossa análise de “Fluxo” e “O Unicórnio”, narrativas que compõem o livro <em>Fluxo-floema</em> (1970), da escritora brasileira Hilda Hilst. Aprofundamos nossas bases conceituais com pesquisas históricas realizadas por Renan Honório Quinalha e dados constantes no <em>Relatório da Comissão Nacional da Verdade</em>, que nos permitiram relacionar repressão política e opressão às subjetividades. Concluímos que HH se apropriou ironicamente do discurso dominante, ao explorar corpos, viventes e escriturais, de sujeitos homoeroticamente inclinados, a fim de denunciar a violência gerada pelo regime autoritário ao qual parecem referir-se os seus textos aqui investigados.</p> André Luis Mitidieri, Elisabete Costa Silva ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/516 Sáb, 05 Jan 2019 01:47:32 +0000 Como se faz uma “orgia do fogo”? Teatro e ritual em Mário de Sá-Carneiro e Antonin Artaud http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/518 <p>O ensaio de Mário de Sá-Carneiro “O teatro-arte” (1913) e o livro de Antonin Artaud <em>Le Théâtre et son Double</em> (1938) têm em comum o facto de anunciarem um teatro que ainda não existia e que, de algum modo, nunca poderá existir: através de uma sublimação metafísica ou da crueldade do corpo atacado pela peste, os dois autores pretendem criar um ritual sagrado. Como se realiza essa transmutação do jogo cénico, e a que custo?</p> Pedro Eiras ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/518 Dom, 06 Jan 2019 08:00:44 +0000 O Portugal amazônico de Ferreira de Castro e a Amazônia nordestina de Paulo Jacob: Um olhar de entre-dois sobre a terra natal http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/519 <p>Os romances <em>A Selva</em> (1930), do escritor português Ferreira de Castro (1898-1974), e <em>Dos Ditos Passados nos Acercados do Cassianã</em> (1969), do escritor brasileiro Paulo Jacob (1921-2004), possuem como tema comum a vida de seus protagonistas migrantes num seringal amazônico, durante o primeiro ciclo gomífero. Através dessa experiência iniciática, esses personagens afastam-se de um discurso atávico sobre as suas origens lusitana e nordestina (“identidade-<em>idem</em>”), aproximando-se da realidade amazônica (“identidade-<em>ipse</em>”) (Ricœur 1990). Nosso objetivo é analisar como esse olhar de entre-dois reconstrói a imagem da terra natal, observando as relações socio-históricas entre colônia e metrópole, e entre as regiões norte e nordeste do Brasil. Proporemos, por fim, uma reflexão sobre a falta de visibilidade dessas obras dentro do panorama literário brasileiro.</p> Karina Marques ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/519 Dom, 06 Jan 2019 12:56:38 +0000 "Never Let Me Go" de Kazuo Ishiguro, ou a síndrome moderna de Frankenstein http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/520 <p>O romance <em>Never Let me Go</em>, publicado originalmente em 2005, da autoria do prémio&nbsp; nobel da literatura de 2017, Kazuo Ishiguro inscreve-se numa linhagem de ficções distópicas que assinalam a dissociação radical entre as esferas da moral e da ciência. O romance de Ishiguro, temporalmente situado numa realidade histórica indefinida, explora o caráter fáustico de um cientismo com aplicações moralmente perversas, o da clonagem humana com o fim gratuito da perpetuação da vida individual. Este ensaio procura dar a ver os subtis processos narrativos utilizados por Ishiguro na construção do seu romance de modo a criar uma ambígua tensão entre a representação de um espaço utópico, o internato de Hailsham, e o fim distópico a que ele se destina.</p> José Eduardo Reis ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/520 Dom, 06 Jan 2019 19:54:50 +0000 H. S. Salt (1886), "A Plea for Vegetarianism and Other Essays", The Vegetarian Society, Manchester http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/521 <p>.</p> José Eduardo Reis ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/521 Dom, 06 Jan 2019 00:00:00 +0000 Rebeca Sanmartín Bastida (2017), "La comida visionaria. Formas de alimentación en el discurso carismático feminino del Siglo XVI", prol. Catherine Davies, s.l., Splash Ediciones http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/522 <p>.</p> Maria Luísa Malato ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/522 Dom, 06 Jan 2019 22:19:20 +0000 Julie M. Parsons (2015), "Gender, Class and Food: Families, Bodies and Health", London, Palgrave Macmillan http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/523 <p>.</p> Joana Caetano ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/523 Dom, 06 Jan 2019 23:09:35 +0000 Paolo Corvo (2015), "Food Culture, Consumption and Society", London, MacMillan, http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/524 <p>.</p> João Castro Santos ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/524 Seg, 07 Jan 2019 04:11:03 +0000 Michael Carolan (2017), "No One Eats Alone: Food as a Social Enterprise", Washington, Island Press http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/525 <p>.</p> Sofia de Melo Araújo ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/525 Seg, 07 Jan 2019 05:07:07 +0000 Dallen J. Timothy (ed.) (2016), "Heritage Cuisines: Traditions, Identities and Tourism", London and New York, Routledge http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/526 <p>.</p> Iolanda Ramos ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/526 Seg, 07 Jan 2019 05:19:45 +0000 Kim Salmons (2017), "Food in the Novels of Joseph Conrad: Eating as Narrative", s.l., Palgrave Macmillan http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/527 <p>.</p> Jorge Bastos da Silva ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/527 Seg, 07 Jan 2019 05:35:04 +0000 Michael D. Wise and Jennifer Jensen Wallach (eds.) (2017), "The Routledge History of American Foodways", New York, Routledge Taylor& Francis Group [2016] http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/528 <p>.</p> Maria Teresa Castilho ##submission.copyrightStatement## http://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/528 Seg, 07 Jan 2019 05:47:10 +0000