Representações do passado traumático em obras de Roberto Drummond e Bernardo Kucinski

Autores

  • Sandra Assunção Université Paris Nanterre

DOI:

https://doi.org/10.21747/21832242/litcomp45a7

Palavras-chave:

Roberto Drummond, Bernardo Kucinski, Shoá, ditadura militar, testemunha, traumatismo, memória nacional

Resumo

A ditadura civil-militar brasileira foi revisitada por muitos romancistas contemporâneos, podendo a literatura sobre esse período ser considerada como uma forma de “arquivo da ditadura” (Figueiredo, 2017). Os escritores Roberto Drummond, em Hitler manda lembranças (1984), e Bernardo Kucinski, em K. Relato de uma busca (2011), colocam em cena personagens que, inseridas no período ditatorial, são atormentadas por lembranças da Segunda Guerra Mundial. Como em um quebra-cabeça inverossímil, a memória da perseguição aos judeus durante o nazismo ressurge estabelecendo conexões com o regime militar no Brasil. De cunho autoficcional ou sob a forma de pastiche, os dois romances propõem analogias singulares entre memórias não concorrenciais e possíveis cruzamentos traumáticos (Rothberg 2018). O caráter testemunhal das narrativas nos permite também estabelecer associações entre o passado exógeno do imigrante e a memória nacional. A ficcionalização do passado traumático parece contribuir para o estabelecimento de relações entre diferentes momentos históricos e a transmissão de uma memória intergeracional e afiliativa (Hirsch 2012).

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Publicado

2022-01-20

Como Citar

Assunção, S. . (2022). Representações do passado traumático em obras de Roberto Drummond e Bernardo Kucinski. Cadernos De Literatura Comparada, (45), 115–140. https://doi.org/10.21747/21832242/litcomp45a7