Cadernos de Literatura Comparada https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos <h4><em>Cadernos de Literatura Comparada</em> é publicada pelo <a title="ilcml" href="https://www.ilcml.com/" target="_blank" rel="noopener">Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa</a>.</h4> <p>Privilegiando instrumentos teóricos comparatistas e valorizando perspectivas interartísticas, <em>Cadernos</em> pretende contribuir para o conhecimento da poesia moderna e contemporânea, promovendo a sua leitura crítica no contexto de problemáticas de âmbito transnacional.</p> ILCML pt-PT Cadernos de Literatura Comparada 1645-1112 Apresentação https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/692 <p style="box-sizing: border-box; line-height: 25px; margin: 0px 0px 20px; color: rgba(0, 0, 0, 0.87); font-family: 'Noto Serif', -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; orphans: 2; text-align: start; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-stroke-width: 0px; background-color: #ffffff; text-decoration-thickness: initial; text-decoration-style: initial; text-decoration-color: initial;">Neste volume n. 43,<em style="box-sizing: border-box;">&nbsp;outr@s corp@s, outras cidades</em>, novas formas de habitar, arte do encontro entre a crítica – nossa forma própria de produzir “literatura” -, o poético (que no fim nos define como área de saber) e o compromisso que faz do exercício crítico-literário, também, um gesto ético fundado no social: aqui, não se fala “por”, mas se fala “com”, conforme bem nos ensina Antonio Gramsci, em seus&nbsp;<em style="box-sizing: border-box;">Cadernos do Cárcere</em>&nbsp;(s/d).</p> <p style="box-sizing: border-box; line-height: 25px; margin: 20px 0px 0px; color: rgba(0, 0, 0, 0.87); font-family: 'Noto Serif', -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; orphans: 2; text-align: start; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-stroke-width: 0px; background-color: #ffffff; text-decoration-thickness: initial; text-decoration-style: initial; text-decoration-color: initial;">Numa palavra: esse número, com suas intervenções diversificadas, diversas e identitariamente marcadas pela diversidade (e os textos da secção Varia estão em sintonia com esta orientação), quer, à sua maneira, demarcar (por que não,&nbsp;<em style="box-sizing: border-box;">fundar</em>) também a emergência de novas formas de&nbsp;<em style="box-sizing: border-box;">Beleza</em>. Não de um&nbsp;<em style="box-sizing: border-box;">Belo</em>&nbsp;aos gostos clássicos que, no fim, reforçam lugares-comuns e excludentes; todavia, lugares onde “o bom e o belo”, distintamente distinguíveis, também nos estudos literários pela sigla inglesa WASP (White, Anglo-Saxon &amp; Protestant). Aqui, outras Belezas, como aquelas de Al Berto, para quem valia a possibilidade de “(...) morrer numa overdose de beleza”</p> Amara Moira Emerson Inácio Fernanda Miranda Maria de Lurdes Sampaio Mário César Lugarinho Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-15 2021-02-15 43 5 8 10.21747/21832242/litcomp43ap 'Fizera-se Mulher': Cassandra Rios, Visionária Maldita https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/695 <p>Discute-se, neste ensaio, a maneira como a temática trans foi pioneiramente abordada em duas obras da polêmica escritora Cassandra Rios, o romance de formação <em>Georgette</em> (1956) e o policial <em>Uma mulher diferente</em> (1965). A forma como a narradora se posiciona em relação ao gênero das personagens trans será um dos aspectos centrais aqui trabalhados, assim como as inter-relações entre identidade de gênero e orientação sexual na construção das narrativas.</p> Amara Moira Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-15 2021-02-15 43 11 19 10.21747/21832242/litcomp43a1 Notas sobre o Outro Lado das Fronteiras Míticas do Western https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/694 <p>Tentaremos fazer uma breve panorâmica do delineamento do<strong> Oeste Americano (Ianque)</strong> enquanto designação de uma realidade geofísica, mas com fortes penetrações culturais e ideológicas na amplitude semântica do termo, atendendo a que, em última análise, o vocábulo circunscreve um espaço de confronto, beligerância e oposição entre o universo <strong>selvático</strong> e o da <strong>civilidade</strong> ou <strong>civilização</strong>, tendo em vista fundamentalmente abordar o <strong>processo</strong> <strong>da organização legal e jurídica da cidadania</strong>, representado nos <strong>westerns</strong> que tomam como temática central a instauração da <strong>lei </strong>e da <strong>ordem</strong> na sua dialéctica complexa com a dimensão da<strong> justiça</strong>. Nesta última oposição, redimensionam-se não só o confronto entre os <strong>colonos/ peregrinos</strong> europeus e os <strong>índios</strong>, como o dos modos de produção agrários, com estruturação de relações socioeconómicas esclavagistas ou quase feudais, com aquelas defendidas por uma mentalidade burguesa, capitalista e liberal e, ainda, a função destacada e o protagonismo dos representantes da lei, <strong>sheriffs</strong> e <strong>marshals</strong>.</p> Carlos Jorge Figueiredo Jorge Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-15 2021-02-15 43 21 42 10.21747/21832242/litcomp43a2 Escrituras em Negro: cânone, tradição e sistema https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/696 <p>O presente artigo intenta, a partir de alguns fenômenos basilares dos cânones literários brasileiro e português, sobre como a emergente produção escrita afroportuguesa se insere no sistema produtivo e cultural das Literaturas de Língua Portuguesa. Se tal dicção redunda, de alguma forma, dos longos silêncios impostos pelo sistema colonial, afinal que laços a vinculam às perspectivas da tradição literária sempre tão encarecida?</p> Emerson Inácio Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-15 2021-02-15 43 43 60 10.21747/21832242/litcomp43a3 Maria Firmina dos Reis: a fundadora negra de outra tradição literária brasileira https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/697 <p>Neste artigo analisa-se a obra <em>Úrsula</em> (1859), da escritora afro-brasileira Maria Firmina dos Reis, pioneira na publicação do gênero romance e do conteúdo abolicionista na ficção em língua portuguesa. Através de algumas linhas gerais sobre o contexto da obra, da observação do prefácio e da constituição das personagens negras, objetiva-se salientar em que medida a obra opera uma fratura à ordem colonial como enquadramento único de pessoas negras, instaurando uma nova tradição na literatura brasileira.</p> Fernanda Rodrigues de Miranda Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-15 2021-02-15 43 61 74 10.21747/21832242/litcomp43a4 Rachel Queiróz e Conceição de "O Quinze": Mulheres que buscam refundar a tradição por meio da insubordinação feminina https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/698 <p>A partir da perspectiva dos estudos culturais de gênero e da teoria feminista, este breve estudo busca contribuir para a desconstrução do discurso canônico produzido pelo imaginário masculino a partir de uma releitura de <em>O Quinze</em>, de Rachel de Queiróz, tomando a voz dissidente e o corpo fragmentado da protagonista Conceição como lugar de resistência e insubordinação feminina.</p> Gerusa Alves dos Santos Dias Osmar Pereira Oliva Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-15 2021-02-15 43 75 85 10.21747/21832242/litcomp43a5 O vulto da Bahia e o lugar da mulher: Maria Quitéria/Soldado Medeiros no carnaval carioca https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/699 <p>Neste artigo, analiso a presença de Maria Quitéria de Jesus/Soldado Medeiros na cultura brasileira a partir de doze sambas-enredos de Escolas de samba do Rio de Janeiro, e seus respectivos desfiles, entre os carnavais de 1954 e 2020. Com base no material encontrado e nas análises realizadas, podemos dizer que há duas narrativas significativamente distintas sobre a personagem. Na primeira, entre as décadas de 50 e 70, há uma perspectiva militarizada, onde a personagem é construída a partir de sua capacidade guerreira e da sua atuação nas lutas de independência; na segunda, entre as décadas de 90 e 10, há uma perspectiva feminista, sendo a personagem construída a partir de sua capacidade de transgredir as normatividades de gênero.</p> Helder Thiago Maia Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-15 2021-02-15 43 87 106 10.21747/21832242/litcomp43a6 Fernan Díaz, quem teve que esperar 800 anos para se casar, ou: Sobre desleituras históricas e revisões canônicas https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/700 <p>Entre o acervo jacente nas cantigas de escárnio e mal-dizer contam-se várias de teor homoerótico, via de regra marcadas pela chacota e/ou pelo denosto. Alguns personagens do mundo medieval são focalizados em várias cantigas, de vários trovadores. A de 1479 do&nbsp;<em>Cancioneiro da Biblioteca Nacional</em>, de autoria de Airas Pérez Vuitoron, trata de um certo Fernan Díaz, provável meirinho real, que parece alimentar ilusões de casar-se com alguém de seu sexo, para escárnio geral. É comentada, assim como as referidas, na imprescindível edição do cancioneiro escarninho feita por Rodrigues Lapa (1965). Ao redor desse desejo e das reações que gera, em termos de desleitura desse tópico quando se trata do ensino da literatura dos cancioneiros, o presente texto adota um olhar crítico sobre a necessidade de remontagem, de releitura do deslido, do cânone literário da língua portuguesa, sob o princípio de que construção de memória equivale à construção de cidadania.</p> Horácio Costa Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-15 2021-02-15 43 107 115 10.21747/21832242/litcomp43a7 'Talvez um dos Doze de Inglaterra (treze, na verdade, se a história estiver bem contada)' ou de como revisitar o cânone para reinventar outra narrativa: reflexões em torno de "O Magriço", de Tiago Salazar https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/701 <p>O presente trabalho tem como objetivo tecer algumas reflexões sobre o mais recente romance do escritor português Tiago Salazar, <em>O Magriço </em>(2020), procurando observar alguns pontos importantes na sua construção, desde a idéia lançada no subtítulo da obra (“A verdadeira história de D. Álvaro Gonçalves Coutinho, um dos Doze de Inglaterra”) até à sua categorização genológica (“romance histórico”). Para tanto, os postulados de Maria de Fátima Marinho (1999), Mário César Lugarinho (2005) e Umberto Eco (1985), dentre outras fontes importantes, serão articulados para pensar de que forma o autor expande as fronteiras constitutivas da tipologia textual para compor um romance que revisita o cânone camoniano não só para reinventar uma outra narrativa, mas também para revelar a simplicidade e a dissidência de certos agentes históricos, pintados muitas vezes unicamente com tonalidades heroicas, bem como as suas amarguras e os seus dissabores.</p> Jorge Vicente Valentim Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-16 2021-02-16 43 117 134 10.21747/21832242/litcomp43a8 Estratégias cimarronas para narrar a negritude no século XIX em "Autobiografía" de Juan Francisco Manzano (Cuba, 1835) e "Úrsula" (Brasil, 1859) https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/702 <p>A presente reflexão analisará as estratégias narrativas utilizadas por dois escritores negros latino-americanos ao apresentar a temática da negritude no século XIX. De um lado, a autobiografia escrita pelo cubano Juan Francisco Manzano (1835), único texto autobiográfico escrito por homem negro escravizado semi-alfabetizado latino-americano que narra sua vida em troca de liberdade. De outro lado, a narrativa desenvolvida por Maria Firmina dos Reis, mulher, negra liberta considerada a primeira romancista do Brasil: <em>Úrsula</em> (1859), texto abolicionista cujos protagonistas são brancos, surpreende por conceder a voz aos cativos, que narram suas memórias de África e estão conscientes de sua condição. Serão utilizados os referenciais teóricos sobre o romance como gênero de projeção de um futuro ideal das recentes nações latino-americanas (Sommer, 2004), textos abolicionistas como romance de tese (Jeffers, 2013), máscara do silenciamento (Kilomba, 2019) e a&nbsp; pedagogia da cimarronagem (Mendes, 2019) na intenção de revisar o cânone literário latino-americano em uma proposta de inclusão das duas obras como leituras obrigatórias nos cursos de Literatura nas universidades da América Latina.</p> Liliam Ramos da Silva Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-16 2021-02-16 43 135 153 10.21747/21832242/litcomp43a9 Visões de Lisboa em dissonância: dinâmicas do poder no espaço urbano e escritas em trânsito https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/704 <p>O presente artigo propõe uma reflexão em torno das escritas produzidas na Europa e, em particular, em Portugal por sujeitos em trânsito, migrantes contemporâneos, evidenciando as dissonâncias presentes nesses textos em relação ao imaginário coletivo hegemônico, e suas possíveis contribuições. Tendo como objeto de análise as dinâmicas urbanas e a ação do poder público na cidade de Lisboa, assim como a representação do espaço lisboeta por experiências literárias contemporâneas – dentro das quais destaca-se o romance <em>Luanda, Lisboa, Paraíso</em> (2018), de Djaimilia Pereira de Almeida – esse artigo evidencia a articulação entre o desenvolvimento do capitalismo na contemporaneidade e as persistências coloniais no cotidiano urbano da cidade de Lisboa.</p> Luca Fazzini Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-16 2021-02-16 43 155 174 10.21747/21832242/litcomp43a10 Luís Alberto de Abreu e a peça "Um dia ouvi a Lua": a poética aristotélica como cânone https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/705 <p>Por meio da leitura de <em>Um dia ouvi a Lua</em>, texto de Luís Alberto de Abreu, este artigo discute como o uso da linguagem popular brasileira e de procedimentos teatrais épicos constituem os mecanismos de trabalho desse dramaturgo brasileiro. Esses mecanismos permitem ao autor edificar sua própria poética dramatúrgica, baseada na estrutura da narração, do contar histórias. Procura-se evidenciar que Abreu parte de um diálogo com o cânone aristotélico da <em>Poética</em>, atendo-se àquilo que Aristóteles considera sobre o gênero épico e trazendo essa discussão à realidade brasileira. Constitui, então, uma forma contemporânea de arte teatral que não nega o cânone e também não o aceita de modo dogmático.&nbsp;</p> Luís Faria Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-16 2021-02-16 43 175 191 10.21747/21832242/litcomp43a11 Entre inércia do Cânone Literário e ataques à “italianidade” contribuições para um estado da arte em Itália https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/706 <p>As reflexões teóricas das últimas décadas sobre a formação dos cânones literários e a necessidade da sua reformulação chegaram também a Itália. A receção dessas ideias, porém, parece ser particularmente fraca, de forma a poder dizer-se hoje que, no geral, falharam o seu objetivo, tendo prevalecido uma atitude mais que prudente – ou até abertamente conservadora – na manutenção dos cânones literários tradicionais. Objetivo deste artigo será fornecer e problematizar elementos sobre a questão do cânone literário em Itália e contribuir para uma discussão sobre a necessidade da sua renovação, tentando focar quais são as resistências a um acolhimento mais favorável dos apelos para uma abertura canónica.</p> Marco Bucaioni Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-16 2021-02-16 43 193 214 10.21747/21832242/litcomp43a12 Para repensar o cânone: "Pensamento fronteiriço" e distribuição geopolítica da produção intelectual https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/707 <p>A partir do conceito de “pensamento fronteiriço” de Walter D. Mignolo (2003), discuto a urgência da constatação de que a valoração do objeto de conhecimento e da arte, a exemplo da literatura, não está associada às predicações do objeto em si, mas exclusivamente em relação ao lugar de enunciação (de onde parte o discurso e de quem o formula). Em um contexto de colonialidade do saber, é o eu do discurso que indica o valor do objeto artístico/científico e, consequentemente, estabelece a distribuição do local legítimo de produção. E é claro que na história da produção artística e científica, o lugar de enunciação permitido sempre foi o Primeiro Mundo, onde a arte e a ciência sempre foram produzidas por brancos, mais especificamente, homens brancos. A ideia também é mostrar como Ana Maria Gonçalves em <em>Um defeito de cor</em> questiona o cânone literário por meio de uma poética com diversidade epistêmica e como ele torna-se o espaço para produção de “um outro pensamento” (Pensamento fronteiriço).</p> Maria Aparecida Cruz de Oliveira Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-16 2021-02-16 43 215 231 10.21747/21832242/litcomp43a13 Quem (não) tem medo da literatura negra? O amor negro no combate ao genocídio do branqueamento https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/708 <p>Historicamente construiu-se a ideia de que o cânone literário é uma seleção baseada unicamente na qualidade do texto. Tal perspectiva, além de ignorar as inegáveis relações de poder envolvidas no processo também acaba por engessar as possibilidades criativas de muitas/os artistas. Neste trabalho vamos discutir alguns aspectos desses conflitos, associados principalmente à importância da luta pela valorização da literatura negra não apenas como manifestação artística fundamental, mas também como instrumento de luta contra o genocídio da população negra, empreendido ora por meio da defesa do mito da miscigenação redentora, base da política de branqueamento da população brasileira desde o fim da escravidão, ora pela ideia de um nacionalismo homogêneo e comum a todas/os. Entendemos que a melhor forma de combater esse processo de extermínio é valorizando o amor e a família preta e somente a literatura é capaz de ressignificar os séculos de brutalização e animalização de corpos e afetos negros.</p> Mariana Santos de Assis Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-16 2021-02-16 43 233 253 10.21747/21832242/litcomp43a14 Cânone e Crítica: Superações https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/709 <p>A emergência dos estudos culturais, dos estudos pós-coloniais e decoloniais, dos estudos de gênero e dos estudos queer propiciou, ao longo da segunda metade do século XX, alteração profunda nos paradigmas das Ciências Humanas. Neste artigo, procuramos observar essa “evolução” tendo em vista o conceito de cânone e a consequente superação de sua tradição de exclusão.</p> Mário César Lugarinho Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-16 2021-02-16 43 255 267 10.21747/21832242/litcomp43a15 O português lá fora: algumas reflexões sobre a circulação da literatura de língua portuguesa https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/710 <p>A divulgação de uma obra literária depende de vários factores, mas que o público tenha acesso a ela é uma condição <em>sine qua non</em>, pelo que a tradução tem um papel capital neste processo. No entanto, as obras literárias com origem em sistemas periféricos têm dificuldade em chegar aos seus potenciais leitores. Sabemos que uma tradução para uma língua central pode ser uma forma para que uma obra de um sistema periférico chegue a outros de dimensão semelhante (Sapiro 2008), mas a verdade é que os sistemas centrais tendem a deixar pouco espaço para a literatura traduzida (Even-Zohar 1990). Não deve portanto surpreender-nos quando diz Casanova ser a tradução “o maior prémio e a maior arma na competição literária internacional” (Casanova 2004: 133). De que modo poderá então a literatura de língua portuguesa aspirar a um lugar de maior visibilidade? Quais os principais agentes que intervêm no processo? Este artigo procura avaliar a que canais têm acesso estes produtos culturais, e de que modo a selecção de obras e autores a serem traduzidos reflecte (ou não) um projecto e/ou uma política cultural consistentes.</p> Marisa Mourinha Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-16 2021-02-16 43 269 285 10.21747/21832242/litcomp43a16 Yvette Centeno: uma poética ao rés do tempo e das coisas sem tempo ("Entre Silêncios. Poesia 1961-2018") https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/711 <p>Como um mapa desdobrável, dos que exibem com maior ou menor detalhe as possíveis direções e coordenadas dos lugares que se buscam, assim uma (quase) integral obra poética reunida num único volume pode ser lida e estudada sob diferentes perspetivas ou ângulos de incidência: cronológico, temático, simbólico. Preservando a funcionalidade desse &nbsp;olhar multifacetado, a um tempo global e analítico, este ensaio intenta seguir um itinerário de leitura plural e intersecionada do livro de poemas de Yvette K. Centeno, <em>Entre Silêncios. Poesia 1961-2018</em>. No seu despojamento retórico, nela se dá voz a um conhecimento depurado do mundo feito de incursões afetivas, que vão da dor à alegria, da ironia à revolta, da alusão erótica à inquirição espiritual, da paixão subjetiva ao amor universal, do corpo físico de mulher à consciência política do ser feminino, do sentimento filial ao maternal, do sentido do trágico à esperança redimível. Mas também feito de declinações culturais e literárias que a inscrevem, sem intenções de filiação programática, e com pontuais incursões em língua francesa, no horizonte da tradição lírica erudita em língua portuguesa.</p> José Eduardo Reis Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-16 2021-02-16 43 289 299 10.21747/21832242/litcomp43v1 Des-concertante Eduardo: louvor e simplificação de Eduardo Lourenço https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/712 <p>.</p> José Eduardo Reis Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-16 2021-02-16 43 301 308 10.21747/21832242/litcomp43v2 Hale, Dorothy J., "The Novel and the New Ethics". Stanford, Stanford University Press, 2020. https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/714 Manuel J. Sousa Oliveira Direitos de Autor (c) 2021 Cadernos de Literatura Comparada 2021-02-16 2021-02-16 43 311 315 10.21747/21832242/litcomp43r1