“Resta saber se o não-pensamento contamina o pensamento”: citação e invenção em Adeus à Linguagem de Jean-Luc Godard

Palavras-chave: Jean-Luc Godard, Adeus à Linguagem, citação, invenção, alteridade

Resumo

Um dos traços reconhecidos do cinema de Jean-Luc Godard é sua singularidade no haver-se com o trabalho da citação. Celebra-se a força vertiginosa com que seus filmes deslocam, e fazem agir, os fragmentos “saídos de mil focos de cultura” de que falava Barthes, em suas tão citadas palavras sobre o reino inexorável da citação. Este artigo propõe uma reflexão pontual sobre os modos como essa espécie singular de (des)concerto verbivocovisual acontece em Adeus à Linguagem (2014). Respondendo à chamada deste volume, concentra-se na vida que levam no filme – e ao filme – alguns dos fragmentos literários ali convocados, com atenção especial às vozes de Valéry, Rilke, Beckett, Borges e Anouilh. “O face a face inventa a linguagem”, ouvimos a certa altura, em meio ao vórtice de citações. Mostra-se aqui que o desejo de invenção e de alteridade manifesto nesse dito ganha agência nos modos como Godard põe face a face a literatura e o cinema – ao mesmo tempo que explora, entre outros, o face a face com o animal, a mulher, as margens do Ocidente, com a própria arte.

Como Citar
Martins, H. (2019). “Resta saber se o não-pensamento contamina o pensamento”: citação e invenção em Adeus à Linguagem de Jean-Luc Godard. Cadernos De Literatura Comparada, (41), 171-190. Obtido de https://ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/562
Secção
Artigos