Fragmentos urbanos: poesia, memória e gênero na cidade em 'Desterro', de Camila Assad
DOI:
https://doi.org/10.21747/21832242/litcomp53a12Keywords:
Flâneuse, poesia brasileira, contemporaneidade, crítica feministaAbstract
O artigo analisa a obra Desterro (2019), de Camila Assad, a partir do diálogo com as ideias de Walter Benjamin. Com base no projeto poético de Assad, marcado pela apropriação de vozes urbanas e teorias acadêmicas, o estudo evidencia como a obra propõe uma escrita que se situa no limiar entre memória individual e memória social, entre experiência (Erfahrung) e vivência (Erlebnis), categorias centrais na teoria benjaminiana. O texto ressalta ainda a maneira como Assad explora formalmente a escrita para refletir sobre a experiência urbana, criando uma poética que espelha o choque dos encontros e desvios do caminhar pela cidade. Essa fragmentação é incorporada à própria estrutura do livro, tornando a leitura uma experiência marcada por interrupções e descontinuidades que refletem o ritmo e as tensões da modernidade. Nesse contexto, o artigo também investiga a figura da flâneuse, contrapondo-se à tradição masculina do flâneur, discutindo como a presença feminina na cidade não é determinada prioritariamente pelo medo, mas pela questão da visibilidade e do anonimato. Assad atualiza essa problemática ao inscrever, em Desterro, a experiência da mulher que circula pela cidade como sujeito de enunciação, deslocando a centralidade masculina da modernidade e abrindo espaço para uma cartografia poética feminina.
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